{"id":999,"date":"2024-09-04T13:22:34","date_gmt":"2024-09-04T16:22:34","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=999"},"modified":"2024-09-04T13:22:34","modified_gmt":"2024-09-04T16:22:34","slug":"consentimento-inicial-e-falta-de-resistencia-energica-nao-excluem-crime-de-estupro-reafirma-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=999","title":{"rendered":"Consentimento inicial e falta de resist\u00eancia en\u00e9rgica n\u00e3o excluem crime de estupro, reafirma STJ"},"content":{"rendered":"<p>O STJ reafirma a tutela da liberdade sexual no crime de estupro, destacando que o consentimento inicial da v\u00edtima n\u00e3o exclui a tipicidade do delito se, no curso do ato sexual, houver discord\u00e2ncia expressa e o agente persistir na conduta mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Em outras palavras, para a caracteriza\u00e7\u00e3o do crime de estupro, o <b>consentimento inicial da v\u00edtima n\u00e3o exclui a tipicidade do delito se, no decorrer da rela\u00e7\u00e3o sexual, houver uma manifesta\u00e7\u00e3o expressa de discord\u00e2ncia<\/b>, especialmente se o agressor prossegue utilizando viol\u00eancia para for\u00e7ar a continuidade do ato.<\/p>\n<p>No caso concreto, a v\u00edtima, embora inicialmente tenha consentido com a rela\u00e7\u00e3o, manifestou expressa recusa em continuar. Isso porque a aus\u00eancia de uma resist\u00eancia f\u00edsica intensa por parte da v\u00edtima n\u00e3o desqualifica o crime, uma vez que a passividade subsequente pode ser uma rea\u00e7\u00e3o natural diante da viol\u00eancia e do entendimento de que a resist\u00eancia ativa seria ineficaz para evitar a continuidade do ato.<\/p>\n<p>O r\u00e9u, desconsiderando o dissenso reiterado, utilizou for\u00e7a f\u00edsica para consumar o ato, configurando o crime previsto no art. 213 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>O STJ ainda enfatiza que n\u00e3o se exige resist\u00eancia f\u00edsica en\u00e9rgica ou heroica da v\u00edtima para a caracteriza\u00e7\u00e3o do estupro. O <b>dissenso claro<\/b> e a utiliza\u00e7\u00e3o de <b>viol\u00eancia<\/b> s\u00e3o suficientes, sendo irrelevante a passividade ou submiss\u00e3o da v\u00edtima diante da percep\u00e7\u00e3o da impossibilidade de interromper o ato. Ademais, a Corte refor\u00e7a o <b>valor probante do depoimento da v\u00edtima em crimes sexuais<\/b>, especialmente quando corroborado por outros relatos semelhantes, afastando a exig\u00eancia de testemunhas presenciais para a comprova\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o STJ ressalta que o fato de a v\u00edtima, eventualmente, ter se submetido ao ato na esperan\u00e7a de que ele terminasse logo n\u00e3o afasta o car\u00e1ter violento do crime. A Corte argumenta que a complexidade das rela\u00e7\u00f5es humanas e as respostas psicol\u00f3gicas das v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual n\u00e3o podem ser simplificadas a ponto de excluir a pr\u00e1tica do crime com base em comportamentos posteriores, como trocas de mensagens ou a cessa\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, que podem estar ligados a mecanismos de autoprote\u00e7\u00e3o diante da brutalidade sofrida.<\/p>\n<p>O STJ refor\u00e7a que, em crimes sexuais, o <b>depoimento da v\u00edtima possui especial relev\u00e2ncia<\/b>, sobretudo quando corroborado por outros relatos de ofendidas que passaram por situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 13\/08\/2024, DJe 16\/08\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STJ reafirma a tutela da liberdade sexual no crime de estupro, destacando que o consentimento inicial da v\u00edtima n\u00e3o exclui a tipicidade do delito se, no curso do ato sexual, houver discord\u00e2ncia expressa e o agente persistir na conduta mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a. 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