{"id":938,"date":"2024-07-01T10:25:08","date_gmt":"2024-07-01T13:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=938"},"modified":"2024-07-01T10:25:08","modified_gmt":"2024-07-01T13:25:08","slug":"e-possivel-que-ao-extinguir-a-execucao-fiscal-em-face-do-pagamento-o-magistrado-autorize-a-transferencia-da-penhora-existente-para-outro-processo-executivo-envolvendo-as-mesmas-partes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=938","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel que, ao extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal em face do pagamento, o magistrado autorize a transfer\u00eancia da penhora existente para outro processo executivo envolvendo as mesmas partes?"},"content":{"rendered":"<p><b>N\u00c3O<\/b>.<\/p>\n<p>A <b>penhora<\/b> \u00e9 o ato judicial que <b>impede<\/b> o devedor de <b>dispor<\/b> de bens e\/ou direitos para o fim de <b>garantir<\/b> a quita\u00e7\u00e3o de determinado cr\u00e9dito executado. Se n\u00e3o houver o pagamento ap\u00f3s a penhora, o juiz, de of\u00edcio, passa a praticar atos tendentes \u00e0 <b>expropria\u00e7\u00e3o<\/b> do bem objeto da constri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todavia, se o devedor <b>pagar<\/b> o d\u00e9bito, a execu\u00e7\u00e3o se <b>resolve<\/b> com a satisfa\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 924, II, do CPC, sendo liberada a garantia (penhora) ent\u00e3o existente em favor do devedor, pois n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria para garantir aquele determinado cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 no CPC regra que autorize o magistrado que extingue a execu\u00e7\u00e3o fiscal em face do pagamento a proceder com a transfer\u00eancia da penhora existente para outro processo executivo envolvendo as mesmas partes.<\/p>\n<p>Embora o art. 28 da LEF disponha que &#8220;o juiz, a requerimento das partes, poder\u00e1, por conveni\u00eancia da unidade da garantia da execu\u00e7\u00e3o, ordenar a reuni\u00e3o de processos contra o mesmo devedor&#8221;, a execu\u00e7\u00e3o tratada no caso em discuss\u00e3o, contudo, <b>n\u00e3o foi reunida<\/b> com outros feitos executivos para fins de compartilhamento da garantia. Assim, cuidando de <b>a\u00e7\u00e3o executiva processada de forma aut\u00f4noma<\/b> e de penhora em dinheiro, convers\u00edvel em dep\u00f3sito (art. 11, \u00a7 2\u00ba), \u00e9 de rigor a aplica\u00e7\u00e3o do art. 32, \u00a7 2\u00ba, o qual preconiza que, &#8220;ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o, o dep\u00f3sito, monetariamente atualizado, ser\u00e1 devolvido ao depositante ou entregue \u00e0 Fazenda P\u00fablica, mediante ordem do ju\u00edzo competente&#8221;.<\/p>\n<p>Dessa forma, a LEF, como visto, n\u00e3o d\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de penhora ao magistrado, devendo ela ser liberada para a parte vencedora.<\/p>\n<p>Destaca-se ainda que o legislador previu a subsist\u00eancia da penhora ap\u00f3s a senten\u00e7a extintiva em face do pagamento para <b>garantir outra a\u00e7\u00e3o executiva<\/b> pendente <b>somente \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais da d\u00edvida ativa da Uni\u00e3o<\/b>, suas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, consoante disposi\u00e7\u00e3o contida no art. 53, \u00a72\u00ba, da Lei n. 8.212\/1991:<\/p>\n<p>Art. 53. Na execu\u00e7\u00e3o judicial da d\u00edvida ativa da Uni\u00e3o, suas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ser\u00e1 facultado ao exeq\u00fcente indicar bens \u00e0 penhora, a qual ser\u00e1 efetivada concomitantemente com a cita\u00e7\u00e3o inicial do devedor.<\/p>\n<ul>\n<li><em>2\u00ba Efetuado o pagamento integral da d\u00edvida executada, com seus acr\u00e9scimos legais, no prazo de 2 (dois) dias \u00fateis contados da cita\u00e7\u00e3o, independentemente da juntada aos autos do respectivo mandado, poder\u00e1 ser liberada a penhora, desde que n\u00e3o haja outra execu\u00e7\u00e3o pendente.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, contudo, aplicar esse dispositivo para a execu\u00e7\u00e3o fiscal de d\u00e9bito inscrito na d\u00edvida ativa dos estados ou dos munic\u00edpios, sob pena de indevida atua\u00e7\u00e3o do magistrado como legislador positivo, por caracterizar clara ofensa ao Princ\u00edpio da Separa\u00e7\u00e3o dos Poderes.<\/p>\n<p><b>Tese<\/b>: N\u00e3o h\u00e1 no CPC, nem na Lei 6.830\/80, regra que autorize o magistrado que extingue a execu\u00e7\u00e3o fiscal em face do pagamento a proceder com a transfer\u00eancia da penhora existente para outro processo executivo envolvendo as mesmas partes.<\/p>\n<p>REsp 2.128.507-TO, julgado em 23\/5\/2024 (Info 815).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00c3O. A penhora \u00e9 o ato judicial que impede o devedor de dispor de bens e\/ou direitos para o fim de garantir a quita\u00e7\u00e3o de determinado cr\u00e9dito executado. Se n\u00e3o houver o pagamento ap\u00f3s a penhora, o juiz, de of\u00edcio, passa a praticar atos tendentes \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do bem objeto da constri\u00e7\u00e3o. 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