{"id":1432,"date":"2025-03-25T09:40:11","date_gmt":"2025-03-25T12:40:11","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1432"},"modified":"2025-03-25T09:40:11","modified_gmt":"2025-03-25T12:40:11","slug":"responsabilidade-civil-por-inadimplemento-de-promocao-comercial-limites-da-atuacao-publicitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1432","title":{"rendered":"Responsabilidade civil por inadimplemento de promo\u00e7\u00e3o comercial: limites da atua\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A controv\u00e9rsia analisada pelo STJ diz respeito \u00e0 possibilidade de <i>responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria<\/i> da emissora de televis\u00e3o e do apresentador contratado para atuar como garoto-propaganda, ao lado da sociedade empres\u00e1ria promotora do concurso denominado &#8220;Bing\u00e3o da Felicidade&#8221;, em raz\u00e3o do <i>inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o<\/i> de pagamento da premia\u00e7\u00e3o ao consumidor titular da cartela contemplada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos termos do art. 942 do C\u00f3digo Civil, &#8220;os coautores da ofensa respondem solidariamente pela repara\u00e7\u00e3o dos danos&#8221;. Todavia, a <b><i>solidariedade n\u00e3o se presume<\/i><\/b>, devendo decorrer de disposi\u00e7\u00e3o legal ou convencional, conforme preceitua o art. 265 do mesmo diploma legal. Assim, tratando-se de hip\u00f3tese excepcional, <b>a interpreta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 exist\u00eancia de solidariedade deve ser restritiva<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso concreto, n\u00e3o se verifica qualquer previs\u00e3o legal que confira responsabilidade solid\u00e1ria \u00e0 emissora ou ao apresentador pela obriga\u00e7\u00e3o inadimplida, tampouco h\u00e1 cl\u00e1usula contratual que estabele\u00e7a tal v\u00ednculo. Ademais, as hip\u00f3teses de responsabilidade objetiva solid\u00e1ria previstas no art. 932 do C\u00f3digo Civil n\u00e3o se amoldam \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, n\u00e3o se podendo imputar aos contratados responsabilidade independente de culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a \u00f3tica da legisla\u00e7\u00e3o consumerista, em especial dos arts. 30, 35 e 38 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, os deveres de informa\u00e7\u00e3o e garantia do produto ou servi\u00e7o s\u00e3o atribu\u00eddos ao fornecedor, respons\u00e1vel direto pela oferta e execu\u00e7\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o. A <b>empresa de comunica\u00e7\u00e3o que se limita \u00e0 veicula\u00e7\u00e3o da publicidade exerce fun\u00e7\u00e3o meramente instrumental<\/b>, n\u00e3o integrando a cadeia de fornecimento do produto ou servi\u00e7o anunciado, inexistindo, pois, rela\u00e7\u00e3o de consumo direta com o adquirente do t\u00edtulo promocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada &#8220;<b>propaganda de palco<\/b>&#8220;, por meio da qual o apresentador atesta a credibilidade do concurso perante o p\u00fablico, <b>n\u00e3o possui o cond\u00e3o de converter o comunicador em garantidor da obriga\u00e7\u00e3o assumida pelo fornecedor<\/b>. A sua participa\u00e7\u00e3o, conquanto relevante no aspecto persuasivo, n\u00e3o enseja responsabilidade civil pela eventual frustra\u00e7\u00e3o do evento promocional, especialmente quando <b>ausente demonstra\u00e7\u00e3o de coniv\u00eancia ou m\u00e1-f\u00e9<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante ressaltar que, na hip\u00f3tese, n\u00e3o se identificou v\u00edcio no conte\u00fado da publicidade veiculada, tampouco se comprovou omiss\u00e3o ou des\u00eddia por parte da emissora na apura\u00e7\u00e3o da veracidade das informa\u00e7\u00f5es transmitidas, o que afasta a configura\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o excepcional apta a ensejar a responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria dos divulgadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, <b>ausente o nexo causal<\/b> entre a conduta dos contratados para a divulga\u00e7\u00e3o da campanha promocional e o dano experimentado pelo consumidor em raz\u00e3o do inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o principal pela sociedade promotora, revela-se descabida a imposi\u00e7\u00e3o de responsabilidade solid\u00e1ria, porquanto n\u00e3o configurados os pressupostos legais que autorizam tal medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>RESUMO<\/b>: A empresa de comunica\u00e7\u00e3o e o apresentador de programa de televis\u00e3o n\u00e3o fazem parte, em regra, da cadeia de consumo para fins de responsabilidade pelo fornecimento de produto e\/ou servi\u00e7o anunciados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REsp 2.022.841-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A controv\u00e9rsia analisada pelo STJ diz respeito \u00e0 possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria da emissora de televis\u00e3o e do apresentador contratado para atuar como garoto-propaganda, ao lado da sociedade empres\u00e1ria promotora do concurso denominado &#8220;Bing\u00e3o da Felicidade&#8221;, em raz\u00e3o do inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o de pagamento da premia\u00e7\u00e3o ao consumidor titular da cartela contemplada. 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