{"id":1247,"date":"2024-12-04T11:20:51","date_gmt":"2024-12-04T14:20:51","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1247"},"modified":"2024-12-04T11:20:51","modified_gmt":"2024-12-04T14:20:51","slug":"a-constitucionalidade-do-fim-do-regime-juridico-unico-impactos-da-decisao-do-stf-na-adi-2-135","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1247","title":{"rendered":"A constitucionalidade do fim do regime jur\u00eddico \u00fanico: impactos da decis\u00e3o do STF na ADI 2.135"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em 6\/11\/2024, o <b>STF<\/b> concluiu o julgamento da <b>ADI 2.135<\/b>, declarando a constitucionalidade da <b>EC n\u00ba 19\/1998<\/b>, que <i>suprimiu a obrigatoriedade do regime jur\u00eddico \u00fanico para servidores p\u00fablicos<\/i>. Essa decis\u00e3o permite que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica contrate servidores tanto pelo regime estatut\u00e1rio quanto pelo regime celetista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Contexto hist\u00f3rico e a EC n\u00ba 19\/1998<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, em seu artigo 39, determinava que a Uni\u00e3o, os Estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios institu\u00edssem um <b><i>regime jur\u00eddico \u00fanico<\/i><\/b> e planos de carreira para os servidores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta, aut\u00e1rquica e fundacional. A <b>EC n\u00ba 19\/1998<\/b>, conhecida como <b>Reforma Administrativa<\/b>, alterou esse dispositivo, eliminando a exig\u00eancia do regime jur\u00eddico \u00fanico e permitindo a ado\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos regimes de contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ADI n\u00ba 2.135 e medida liminar<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1999, partidos pol\u00edticos ingressaram com a ADI 2.135, questionando a constitucionalidade da EC n\u00ba 19\/1998, alegando v\u00edcios no processo legislativo de sua aprova\u00e7\u00e3o. Em <b>2007<\/b>, o STF concedeu medida liminar <b>suspendendo a efic\u00e1cia da altera\u00e7\u00e3o promovida pela emenda<\/b>, restabelecendo temporariamente a obrigatoriedade do regime jur\u00eddico \u00fanico at\u00e9 o julgamento de m\u00e9rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Julgamento de m\u00e9rito e decis\u00e3o final<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um longo per\u00edodo de tramita\u00e7\u00e3o, o STF, por maioria de votos, decidiu pela <b>constitucionalidade da EC n\u00ba 19\/1998<\/b>. O Tribunal entendeu que n\u00e3o houve irregularidades no processo legislativo de sua aprova\u00e7\u00e3o, considerando que o texto foi aprovado em dois turnos por 3\/5 dos votos na C\u00e2mara dos Deputados e no Senado Federal, conforme exige a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, \u00e9 poss\u00edvel perceber que houve um intervalo significativo de aproximadamente <b>17 anos<\/b> entre a concess\u00e3o da medida liminar, em 2007, e o julgamento de m\u00e9rito, em 2024. Durante esse lapso temporal prolongado restou mantida a obrigatoriedade da ado\u00e7\u00e3o do regime jur\u00eddico \u00fanico pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da decis\u00e3o de m\u00e9rito do STF que, ao contr\u00e1rio da liminar, reconheceu a constitucionalidade da reforma administrativa, quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es relevantes para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e seus servidores?<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li aria-level=\"1\"><b>Flexibiliza\u00e7\u00e3o dos regimes de contrata\u00e7\u00e3o:<\/b> os entes federativos passam a ter a prerrogativa de optar por diferentes regimes jur\u00eddicos para a contrata\u00e7\u00e3o de servidores, podendo adotar tanto o regime estatut\u00e1rio quanto o celetista, conforme suas necessidades administrativas.<\/li>\n<li aria-level=\"1\"><b>Manuten\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de concurso p\u00fablico:<\/b> independentemente do regime adotado, permanece a exig\u00eancia de concurso p\u00fablico para o ingresso no servi\u00e7o p\u00fablico, assegurando a observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios da impessoalidade e da meritocracia.<\/li>\n<li aria-level=\"1\"><b>Estabilidade funcional:<\/b> a <b><i>estabilidade<\/i><\/b> prevista no artigo 41 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal <b>aplica-se aos servidores ocupantes de cargos efetivos no regime estatut\u00e1rio<\/b>. Os empregados p\u00fablicos contratados sob o regime celetista n\u00e3o gozam dessa estabilidade, estando sujeitos \u00e0s normas da CLT, o que pode resultar em menor prote\u00e7\u00e3o contra demiss\u00f5es arbitr\u00e1rias. Todavia, o pr\u00f3prio STF j\u00e1 decidiu que os empregados p\u00fablicos da administra\u00e7\u00e3o indireta s\u00f3 podem ser demitidos por <b>ato formal devidamente motivado<\/b> e que tal motiva\u00e7\u00e3o deve consistir em fundamento razo\u00e1vel, n\u00e3o se exigindo, por\u00e9m, que se enquadre nas hip\u00f3teses de justa causa da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista (RE 688.267, Tema 1.022).<\/li>\n<li aria-level=\"1\"><b>Gest\u00e3o de pessoal e direitos trabalhistas:<\/b> a coexist\u00eancia de regimes distintos pode gerar desafios na gest\u00e3o de pessoal, especialmente no que tange \u00e0 harmoniza\u00e7\u00e3o de direitos e deveres dos servidores. Quest\u00f5es como planos de carreira, benef\u00edcios e estabilidade dever\u00e3o ser cuidadosamente administradas para evitar disparidades e assegurar a efici\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a decis\u00e3o do STF na ADI 2.135 reafirma a validade da EC n\u00ba 19\/1998, conferindo maior <b>flexibilidade<\/b> aos entes federativos na gest\u00e3o de seus recursos humanos. No entanto, essa flexibiliza\u00e7\u00e3o exige uma administra\u00e7\u00e3o criteriosa para garantir que a diversidade de regimes n\u00e3o comprometa a qualidade e a estabilidade do servi\u00e7o p\u00fablico, preservando os direitos dos servidores e a efici\u00eancia administrativa, sendo mantida a <b>exig\u00eancia de concurso p\u00fablico<\/b>, seja para os cargos efetivos, seja para as fun\u00e7\u00f5es celetistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADI 2.135\/DF, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 06.11.2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 6\/11\/2024, o STF concluiu o julgamento da ADI 2.135, declarando a constitucionalidade da EC n\u00ba 19\/1998, que suprimiu a obrigatoriedade do regime jur\u00eddico \u00fanico para servidores p\u00fablicos. 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