{"id":1167,"date":"2024-10-31T09:00:10","date_gmt":"2024-10-31T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1167"},"modified":"2024-10-30T11:18:39","modified_gmt":"2024-10-30T14:18:39","slug":"stj-define-regras-sobre-taxa-de-conveniencia-e-praticas-na-venda-de-ingressos-pela-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1167","title":{"rendered":"STJ define regras sobre taxa de conveni\u00eancia e pr\u00e1ticas na venda de ingressos pela internet"},"content":{"rendered":"<p>A cobran\u00e7a de taxa de conveni\u00eancia na venda de ingressos pela internet; a venda antecipada de ingressos para um grupo espec\u00edfico de consumidores; e a limita\u00e7\u00e3o de formas de pagamento em vendas realizadas por meio eletr\u00f4nico e via <i>call center<\/i> se caracterizam como pr\u00e1ticas abusivas?<\/p>\n<p><b>N\u00c3O<\/b>.<\/p>\n<ol>\n<li><b> Cobran\u00e7a de taxa de conveni\u00eancia na venda de ingressos pela internet<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a cobran\u00e7a de <b>taxa de conveni\u00eancia<\/b> na venda de ingressos pela <i>internet<\/i> <b>n\u00e3o configura abusividade<\/b>, desde que cumprido o <b>dever de informa\u00e7\u00e3o<\/b> durante a fase pr\u00e9-contratual.<\/p>\n<p>Nesse sentido, para que a intermedia\u00e7\u00e3o na venda de ingressos para eventos culturais e de entretenimento, mediante a cobran\u00e7a de \u201ctaxa de conveni\u00eancia\u201d, seja considerada v\u00e1lida, \u00e9 <b>imprescind\u00edvel que o consumidor seja devidamente informado<\/b> sobre o valor total da transa\u00e7\u00e3o, com o <i>detalhamento<\/i> e <b><i>destaque<\/i><\/b> da referida taxa. A aus\u00eancia de clareza quanto a esse valor caracteriza viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o, comprometendo a transpar\u00eancia contratual exigida pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) e, portanto, resultando na abusividade da cobran\u00e7a (EDcl no REsp n. 1.737.428\/RS, rel. Min. Nancy Andrighi, rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 6\/10\/2020, DJe 19\/11\/2020).<\/p>\n<ol>\n<li><b> Venda antecipada de ingressos a grupos espec\u00edficos de consumidores<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica de venda antecipada de ingressos a determinados grupos de consumidores, o STJ considerou que esta medida, <i>por si s\u00f3<\/i>, <b>n\u00e3o configura abusividade<\/b>. Essa modalidade de venda direcionada \u00e9 <b>leg\u00edtima<\/b> e <b>v\u00e1lida<\/b>, <b>desde que n\u00e3o resulte em preju\u00edzo econ\u00f4mico ou financeiro para os demais consumidores<\/b>.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de priorizar certos consumidores, de maneira limitada e espec\u00edfica, n\u00e3o caracteriza uma vantagem indevida ao fornecedor e tampouco implica em discrimina\u00e7\u00e3o il\u00edcita ou dano aos demais consumidores. Assim, desde que respeitados os <b><i>princ\u00edpios da razoabilidade<\/i><\/b> e da <b><i>isonomia<\/i><\/b>, a venda antecipada a um grupo espec\u00edfico \u00e9 entendida como uma estrat\u00e9gia comercial v\u00e1lida, em conformidade com o CDC.<\/p>\n<p><b>III. Limita\u00e7\u00e3o de formas de pagamento em vendas <\/b><b><i>on-line<\/i><\/b><b> e via <\/b><b><i>call center<\/i><\/b><\/p>\n<p>Por fim, quanto \u00e0 indisponibilidade de formas de pagamento equivalentes a dinheiro e cart\u00e3o de d\u00e9bito para compras realizadas <i>on-line<\/i> e via <i>call center<\/i>, o STJ tamb\u00e9m <b>afastou a alega\u00e7\u00e3o de abusividade<\/b>.<\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o dos meios de pagamento dispon\u00edveis, <i>por si s\u00f3<\/i>, n\u00e3o representa pr\u00e1tica abusiva se n\u00e3o prejudica o consumidor de forma substancial. Nesse contexto, a exist\u00eancia de outros canais e meios de aquisi\u00e7\u00e3o dos ingressos, nos quais o consumidor disp\u00f5e de uma gama maior de op\u00e7\u00f5es de pagamento, mitiga eventuais alega\u00e7\u00f5es de les\u00e3o ou limita\u00e7\u00e3o ao direito de escolha.<\/p>\n<p>Assim, a limita\u00e7\u00e3o de formas de pagamento deve ser considerada leg\u00edtima, pois o consumidor tem outras alternativas acess\u00edveis para efetuar a compra.<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O entendimento consolidado pelo STJ busca equilibrar a prote\u00e7\u00e3o ao consumidor com a viabilidade das pr\u00e1ticas comerciais no setor de entretenimento. No caso da taxa de conveni\u00eancia, \u00e9 essencial o cumprimento do dever de informa\u00e7\u00e3o, enquanto a venda antecipada a grupos espec\u00edficos e a restri\u00e7\u00e3o de formas de pagamento s\u00e3o consideradas pr\u00e1ticas comerciais leg\u00edtimas, desde que n\u00e3o causem preju\u00edzo direto ao consumidor. Dessa forma, o Tribunal reafirma que tais pr\u00e1ticas, quando observadas as devidas cautelas, n\u00e3o violam os direitos consumeristas e est\u00e3o em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel.<\/p>\n<p><b>RESUMO<\/b>: S\u00e3o v\u00e1lidas as pr\u00e1ticas de intermedia\u00e7\u00e3o, pela internet, da venda de ingressos mediante cobran\u00e7a de &#8220;taxa de conveni\u00eancia&#8221;; assim como de venda antecipada de ingressos a um determinado grupo de pessoas; e a indisponibilidade de certas formas de pagamento nas compras efetuadas <i>on-line<\/i> e por meio de <i>call center<\/i>.<\/p>\n<p>REsp 1.984.261-SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por maioria, julgado em 27\/8\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cobran\u00e7a de taxa de conveni\u00eancia na venda de ingressos pela internet; a venda antecipada de ingressos para um grupo espec\u00edfico de consumidores; e a limita\u00e7\u00e3o de formas de pagamento em vendas realizadas por meio eletr\u00f4nico e via call center se caracterizam como pr\u00e1ticas abusivas? N\u00c3O. 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