{"id":1154,"date":"2024-10-27T15:46:04","date_gmt":"2024-10-27T18:46:04","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1154"},"modified":"2024-10-27T15:46:04","modified_gmt":"2024-10-27T18:46:04","slug":"a-destinacao-publica-e-a-impossibilidade-de-usucapiao-de-imoveis-de-sociedades-de-economia-mista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1154","title":{"rendered":"A destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a impossibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3veis de sociedades de economia mista"},"content":{"rendered":"<p>A concep\u00e7\u00e3o de &#8220;<b>destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/b>&#8221; apta a afastar a possibilidade de usucapi\u00e3o de bens de empresas estatais, como sociedades de economia mista e empresas p\u00fablicas, inclui im\u00f3veis <b>momentaneamente inutilizados<\/b>?<\/p>\n<p><b>SIM<\/b>.<\/p>\n<p>O STJ tem interpretado esse conceito de maneira <b><i>abrangente<\/i><\/b>. Mesmo que um im\u00f3vel de uma sociedade de economia mista esteja <b>temporariamente sem uso<\/b>, ele pode ser <b>protegido contra a usucapi\u00e3o<\/b> se houver evid\u00eancias de seu <b>potencial para futura afeta\u00e7\u00e3o a uma finalidade p\u00fablica<\/b>.<\/p>\n<p>Nos termos da jurisprud\u00eancia consolidada pelo STJ, os bens das sociedades de economia mista, enquanto destinados a finalidades p\u00fablicas, s\u00e3o insuscet\u00edveis de aquisi\u00e7\u00e3o por usucapi\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o sobre o alcance dessa &#8220;destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; tem sido objeto de aprofundamento, principalmente quanto \u00e0 possibilidade de se aplicar tal conceito a im\u00f3veis temporariamente inutilizados.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o primordial que se coloca \u00e9 se a <b>destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/b>, como obst\u00e1culo \u00e0 usucapi\u00e3o, inclui im\u00f3veis pertencentes a sociedades de economia mista que, embora n\u00e3o estejam em uso imediato, mant\u00eam a possibilidade de futura afeta\u00e7\u00e3o ao interesse p\u00fablico. No julgamento do <b>REsp n. 2.173.088\/DF<\/b>, o STJ reafirmou o entendimento de que <b>o simples fato de um bem n\u00e3o estar em uso efetivo no presente n\u00e3o desconfigura sua natureza p\u00fablica ou a sua destina\u00e7\u00e3o<\/b>. Ou seja, mesmo os bens <i>momentaneamente inutilizados<\/i>, mas que possam ser empregados em atividades de interesse p\u00fablico no futuro, s\u00e3o protegidos contra a usucapi\u00e3o.<\/p>\n<p>O conceito de <b>afeta\u00e7\u00e3o<\/b> n\u00e3o exige a utiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ou imediata do bem. Basta que o im\u00f3vel tenha <b>potencialidade<\/b> de vir a servir a uma finalidade p\u00fablica. Assim, o STJ sustenta que a <b>in\u00e9rcia administrativa<\/b> ou o <b>abandono tempor\u00e1rio<\/b> do bem n\u00e3o implicam em sua privatiza\u00e7\u00e3o ou na perda de seu car\u00e1ter de bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ademais, na an\u00e1lise da colis\u00e3o de princ\u00edpios, como o <b>direito \u00e0 moradia<\/b> e a <b>supremacia do interesse p\u00fablico<\/b>, o STJ tem reiteradamente afirmado a preval\u00eancia deste \u00faltimo, uma vez que a ordem jur\u00eddica brasileira est\u00e1 alicer\u00e7ada no pressuposto de que os interesses da coletividade se sobrep\u00f5em aos interesses particulares. Essa supremacia \u00e9 um dos pilares do <b>regime jur\u00eddico administrativo<\/b>, justificando a manuten\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o dos bens p\u00fablicos, ainda que momentaneamente sem uso.<\/p>\n<p>Portanto, a concep\u00e7\u00e3o de <b>destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/b> que impede a usucapi\u00e3o de im\u00f3veis de sociedades de economia mista inclui n\u00e3o apenas os bens em uso efetivo, mas tamb\u00e9m aqueles que, embora inutilizados no presente, tenham <b>potencial de afeta\u00e7\u00e3o<\/b> a finalidades p\u00fablicas. A <b>indisponibilidade do bem p\u00fablico<\/b> e a <b>preval\u00eancia do interesse coletivo<\/b> s\u00e3o os fundamentos que sustentam esse entendimento, assegurando a prote\u00e7\u00e3o dos bens das sociedades de economia mista contra aquisi\u00e7\u00f5es indevidas por particulares via usucapi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>RESUMO<\/b>: N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial.<\/p>\n<p>REsp 2.173.088-DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024, Dje 11\/10\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A concep\u00e7\u00e3o de &#8220;destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; apta a afastar a possibilidade de usucapi\u00e3o de bens de empresas estatais, como sociedades de economia mista e empresas p\u00fablicas, inclui im\u00f3veis momentaneamente inutilizados? SIM. 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