{"id":1093,"date":"2024-10-08T09:08:07","date_gmt":"2024-10-08T12:08:07","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1093"},"modified":"2024-10-08T09:08:07","modified_gmt":"2024-10-08T12:08:07","slug":"impenhorabilidade-de-proventos-de-aposentadoria-depositados-em-conta-corrente-inferiores-a-40-salarios-minimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1093","title":{"rendered":"Impenhorabilidade de proventos de aposentadoria depositados em conta corrente inferiores a 40 sal\u00e1rios-m\u00ednimos"},"content":{"rendered":"<p>A controv\u00e9rsia levada ao STJ gira em torno da penhora de valores mantidos em conta corrente correspondentes a proventos de aposentadoria, em montante inferior a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Nos termos dos julgados EREsp 1.874.222\/DF, REsp 1.677.144\/RS e REsp 1.660.671\/RS, a regra de impenhorabilidade de valores \u00e9 suscet\u00edvel de mitiga\u00e7\u00e3o apenas em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas. Para tanto, devem ser cumpridos <b>dois requisitos<\/b>: (i) demonstra\u00e7\u00e3o de que todas as outras medidas executivas restaram infrut\u00edferas para garantir a efetividade da execu\u00e7\u00e3o; e (ii) an\u00e1lise concreta dos efeitos que a constri\u00e7\u00e3o patrimonial pode gerar na subsist\u00eancia digna do devedor e de seus familiares.<\/p>\n<p>Nos Recursos Especiais 1.677.144\/RS e 1.660.671\/RS, a Corte Especial do STJ tamb\u00e9m firmou o entendimento de que a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade abrange valores depositados de forma cont\u00ednua e duradoura, at\u00e9 o limite de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, conforme previsto no art. 833, X, do CPC. Nesse sentido, <b>o <\/b><b><i>nomen juris<\/i><\/b><b> atribu\u00eddo \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o altera a sua prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, sendo irrelevante para fins de reconhecimento da impenhorabilidade<\/b>.<\/p>\n<p>Assim, <b>valores mantidos em caderneta de poupan\u00e7a, at\u00e9 o limite de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, s\u00e3o considerados automaticamente impenhor\u00e1veis<\/b>. Entretanto, outros dep\u00f3sitos banc\u00e1rios podem gozar da mesma prote\u00e7\u00e3o, desde que apresentem caracter\u00edsticas e finalidades similares \u00e0s da poupan\u00e7a, preservando a mesma natureza alimentar.<\/p>\n<p>O fato de o sal\u00e1rio ou benef\u00edcio de aposentadoria ser depositado em conta corrente n\u00e3o altera automaticamente a natureza alimentar dessa verba, que permanece protegida constitucionalmente nos termos do art. 7\u00ba, X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Essa quantia n\u00e3o perde sua natureza salarial por estar em conta banc\u00e1ria, e, por consequ\u00eancia, n\u00e3o se transforma em ativo financeiro sujeito \u00e0 penhora.<\/p>\n<p>Todavia, <b>admite-se que esses valores possam perder a prote\u00e7\u00e3o de impenhorabilidade se permanecerem na conta por mais de 30 dias<\/b>, lapso temporal que autoriza a relativiza\u00e7\u00e3o da regra prevista no art. 833 do CPC, desde que cumpridos determinados requisitos para que a penhora seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>TESE: S\u00e3o impenhor\u00e1veis os valores depositados em institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria at\u00e9 o limite de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, ainda que n\u00e3o se trate especificamente de conta-poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>REsp 2.072.733-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 27\/8\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A controv\u00e9rsia levada ao STJ gira em torno da penhora de valores mantidos em conta corrente correspondentes a proventos de aposentadoria, em montante inferior a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Nos termos dos julgados EREsp 1.874.222\/DF, REsp 1.677.144\/RS e REsp 1.660.671\/RS, a regra de impenhorabilidade de valores \u00e9 suscet\u00edvel de mitiga\u00e7\u00e3o apenas em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas. 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