{"id":1087,"date":"2024-10-06T21:22:19","date_gmt":"2024-10-07T00:22:19","guid":{"rendered":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1087"},"modified":"2024-10-06T21:22:19","modified_gmt":"2024-10-07T00:22:19","slug":"execucao-provisoria-de-astreintes-em-tutela-antecipada-divergencias-doutrinarias-e-jurisprudenciais-no-cpc-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gabaritojuridico.com.br\/?p=1087","title":{"rendered":"Execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de astreintes em tutela antecipada: diverg\u00eancias doutrin\u00e1rias e jurisprudenciais no CPC\/2015"},"content":{"rendered":"<p>A execu\u00e7\u00e3o da multa di\u00e1ria, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, pode acontecer de forma provis\u00f3ria ap\u00f3s a decis\u00e3o que as fixou se estabilizar, ou \u00e9 necess\u00e1rio esperar o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o final de m\u00e9rito para iniciar a cobran\u00e7a?<\/p>\n<p>O <b>STJ<\/b> teve que solucionar essa diverg\u00eancia instaurada entre o ac\u00f3rd\u00e3o embargado da Quarta Turma (REsp 1.883.876\/RS), que entendia pela possibilidade de execu\u00e7\u00e3o das astreintes somente depois do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o de m\u00e9rito, e precedentes paradigmas da Terceira Turma (REsp 1.958.679\/GO) e da Segunda Turma (AREsp 2.079.649\/MA), sustentando, em s\u00edntese, que o cumprimento provis\u00f3rio das astreintes n\u00e3o estaria condicionada \u00e0 sua confirma\u00e7\u00e3o por senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Este tema gera consider\u00e1vel diverg\u00eancia doutrin\u00e1ria, mesmo ap\u00f3s a entrada em vigor do CPC de 2015. A principal quest\u00e3o debatida \u00e9: <b>em que momento a parte beneficiada pela imposi\u00e7\u00e3o da multa poder\u00e1 executar e receber o cr\u00e9dito gerado<\/b>?<\/p>\n<p><b>Correntes Doutrin\u00e1rias<\/b><\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\"><b>Primeira corrente:<\/b> Defende que a multa \u00e9 exig\u00edvel a partir do momento em que a decis\u00e3o que a fixou se torna eficaz, seja pela aus\u00eancia de interposi\u00e7\u00e3o de recurso (estabiliza\u00e7\u00e3o) ou pela aus\u00eancia de recurso com efeito suspensivo. Esse entendimento visa assegurar o car\u00e1ter coercitivo da multa, sustentando que a exigibilidade apenas ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o merit\u00f3ria enfraqueceria a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li aria-level=\"1\"><b>Segunda corrente:<\/b> Argumenta que \u00e9 necess\u00e1rio esperar o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o de m\u00e9rito para que a multa seja exig\u00edvel. Sustenta-se que a decis\u00e3o pode ser modificada na senten\u00e7a final e que o objetivo coercitivo da multa n\u00e3o requer cobran\u00e7a imediata, mas apenas a possibilidade de sua cobran\u00e7a no futuro.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Tese firmada sob a \u00e9gide do CPC\/73<\/b><\/p>\n<p>No julgamento <b>REsp n. 1.200.856\/RS<\/b>, ainda sob a \u00e9gide do CPC de 1973, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, firmou-se a seguinte <b>TESE<\/b>:<\/p>\n<blockquote><p><b>A multa di\u00e1ria fixada em tutela antecipada s\u00f3 pode ser objeto de execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria ap\u00f3s a sua confirma\u00e7\u00e3o pela senten\u00e7a de m\u00e9rito, e desde que eventual recurso n\u00e3o tenha efeito suspensivo<\/b>.<\/p><\/blockquote>\n<p>No entanto, com o advento do <b>CPC de 2015<\/b>, o artigo 515, I, introduziu as decis\u00f5es que reconhecem a exigibilidade de obriga\u00e7\u00e3o de pagar quantia como t\u00edtulos executivos, mas <b>sem alterar a necessidade de confirma\u00e7\u00e3o por senten\u00e7a de m\u00e9rito<\/b> para as astreintes. A doutrina majorit\u00e1ria e o entendimento do <b>STJ<\/b> permanecem alinhados \u00e0 necessidade de confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Entendimento divergente sob a \u00e9gide do CPC\/2015<\/b><\/p>\n<p>Em julgamentos mais recentes, como no <b>REsp n. 1.958.679\/GO<\/b> e <b>AREsp n. 2.079.649\/MA<\/b>, foi proposto que, \u00e0 luz do <b>CPC\/2015<\/b>, n\u00e3o se aplicaria mais a tese firmada no julgamento do REsp 1.200.856\/R, pois o novo c\u00f3digo teria passado a permitir a execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria das astreintes antes da senten\u00e7a de m\u00e9rito. Isso foi fundamentado no <b>art. 537, \u00a73\u00ba<\/b>, que permite o cumprimento provis\u00f3rio da decis\u00e3o, embora o levantamento do valor s\u00f3 ocorra ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n<p>O art. 537, \u00a7 3\u00ba, do CPC disp\u00f5e: &#8220;A decis\u00e3o que fixa a multa \u00e9 pass\u00edvel de cumprimento provis\u00f3rio, devendo ser depositada em ju\u00edzo, permitido o levantamento do valor ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a favor\u00e1vel \u00e0 parte.&#8221;<\/p>\n<p><b>Entendimento definitivo do STJ<\/b><\/p>\n<p>No entanto, segundo o STJ, o referido artigo n\u00e3o eliminou a necessidade de que a senten\u00e7a de m\u00e9rito venha a confirmar a decis\u00e3o liminar que fixou as astreintes. O dispositivo apenas estipula que o valor da multa s\u00f3 pode ser levantado ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Dessa forma, os precedentes apresentados n\u00e3o s\u00e3o suficientes para alterar o entendimento consolidado em julgamento repetitivo, ainda que sob a \u00e9gide do CPC\/73, uma vez que as mudan\u00e7as introduzidas pelo CPC\/2015 n\u00e3o modificaram a natureza jur\u00eddica das astreintes, tampouco dispensaram a exig\u00eancia de confirma\u00e7\u00e3o por senten\u00e7a de m\u00e9rito.<\/p>\n<p>Conforme a jurisprud\u00eancia do Tribunal, a manuten\u00e7\u00e3o da multa est\u00e1 condicionada ao \u00eaxito da demanda que busca a tutela da obriga\u00e7\u00e3o principal ou do direito material discutido em ju\u00edzo. Isso significa que a multa fixada de forma incidental permanece sujeita a uma condi\u00e7\u00e3o resolutiva.<\/p>\n<p><b>RESUMO<\/b>: O novo CPC n\u00e3o alterou o entendimento de que a multa di\u00e1ria, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, somente poder\u00e1 ser objeto de execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria ap\u00f3s a sua confirma\u00e7\u00e3o pela senten\u00e7a de m\u00e9rito e desde que o recurso eventualmente interposto n\u00e3o seja recebido com efeito suspensivo.<\/p>\n<p>EAREsp 1.883.876-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por maioria, julgado em 23\/11\/2023, DJe 7\/8\/2024 (Info 827).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A execu\u00e7\u00e3o da multa di\u00e1ria, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, pode acontecer de forma provis\u00f3ria ap\u00f3s a decis\u00e3o que as fixou se estabilizar, ou \u00e9 necess\u00e1rio esperar o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o final de m\u00e9rito para iniciar a cobran\u00e7a? 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